domingo, 11 de novembro de 2012

Dica de como raspar a tinta do carro

Senhores, hoje vou dar umas dicas de como raspar o carro para remover toda a pintura, dicas geradas de minha experiência e é claro do Fernando que está me ajudando muito nessa empreitada. Essa tarefa sem dúvida é a mais terrível de se fazer quando restaura um carro e como já respondi em alguns comentários é obrigatória para um resultado satisfatório. Entre os diversos motivos eu destaco os seguintes:
  1. Você nunca vai saber a extensão das gambiarras na sua lataria sem expo-la completamente;
  2. Tintas de diferentes naturezas não são quimicamente compatíveis. Existem produtos para garantir a aderência mas você ainda tem que considerar que a tinta "original" pode não ter sido bem aplicada e passar esse produto vai te deixar com mais coisas para raspar se der errado. Não acredite em quem diz que o que segura a tinta é a rugosidade da tinta, isso é balela, a aderência da tinta é muito mais complexa do que isso, mas será assunto de outro tópico quando formos falar de pintura;
  3. Quando você começa a aumentar a espessura da pintura (se puder chamar disso!) você começa a perder os detalhes dos vincos que começam a ficar mais arrendondados. Além disso espessuras maiores de tinta sofrem maiores tensões quando ocorre a movimentação natural da lataria tornando-a mais susceptivel ao trincamento.

 Esses são os equipamentos que você vai precisar, começando de cima da esquerda para direita:
  1. Soprador de ar quente: Serve para remover aquelas borrachas de vedação que emplastariam a lixa e não são propriamente atacadas por removedores. Dá para tirar massa plastica quando ela é bem grossa. Nunca compre os aparelhos genéricos pois você vai querer usar ele no máximo e eles queimam com facilidade. A tinta sai com ele também mas tem maneiras mais faceis para ela. O ideal é usar o soprador principalmente onde uma ferramenta rotativa não entra facilmente;
  2. Escova de aço para lixadeira: Serve para tirar tinta mais fina e ferrugem leve e solta. Cuidado que ela solta farpas quando usada e fura as calças e os olhos, sempre use um avental de raspa, luvas e óculos;
  3. Lixas simples para lixadeira: É uma "máquina" de remoção muito eficiente, se não tomar cuidado tira até a lata. Use para massa plástica (melhor ferramenta), mas evite coisas como emborrachamentos e vedações, elas emplastam e estragam a lixa;
  4. Disco de desbaste: Aproveite que você está removendo a lixa e use essa "pedra" para remover gambiarras de solda ou outra pereba metálica;
  5. Lixa flap: Essa tem uma utilidade parecida com o disco de desbaste mas com um acabamento mais fino (eu achava que substituia tranquilamente a lixa simples mas conforme o Fernando me mostro ela não tem a mesma eficacia);
  6. Furadeira com escovas metálicas: É a maneira mais fácil de remover resíduos da tinta que foi "removida" com removedor e mesmo a tinta "virgem" em alguns casos. Tem alguns "buracos" inclusive que só saem com elas. Dá para usar uma retífica (não mini, exceto se você tiver muito tempo livre, mas ai é melhor usar lixa de unha mesmo) mas é muito difícil encontrar escovas para o nível de rotação delas. Uma observação importante, nunca use escovas de inox, você vai contaminar seu carro e deixa-lo mais propenso a corrosão, a não ser que você tenha um delorean, que por ser de inox não pode ser escovado com aço carbono.
  7. Lima, espatula, talhadeira e chaves de fenda: A lima serve para remover alguma pereba metálica de maneira mais fácil em alguns casos do que o disco de desbaste. A espátula serve para raspar a tinta deteriorada pelo removedor ou pelo ar quente. A talhadeira você pode usar para remover algo mais duro como uma massa plastica muto dura. As chaves de fenda servem como espátula miniatura para cantos e frestas;
  8. Lixadeira: Você vai precisar dela para usar os acessórios que descrevi anteriormente, fique atento aos equipamentos de proteção: luvas de raspa, avental de raspa, botas (voam coisas no pé direto!), mascara facial, óculos de proteção (é recomendável usar os dois ao mesmo tempo) e mascara (no caso da lixadeira uma para pó);
  9. Removedor pastoso ou líquido: Não recomendo o líquido pois ele não remove tintas catalizadas. O pastoso deve ser aplicado com luvas (de preferência nitrilicas, normalmente são as verdes, mas leia o pacote), óculos e mascara (para produtos químicos, normalmente de carvão ativado). O ideal é colocar uma camada bem farta, mas nem toda tinta sai com ele, e a maior tempo não sai na primeira mão. Normalmente passamos uma mão do removedor e depois avaliamos se existem emborrachamentos ou outras "coisas" e avaliamos o que usar. Nunca reaproveite o pincel para outras coisas. Mais um aviso, essa gororoba queima a pela como você nunca imaginou e é dificil de fazer parar de queimar, então tome muito cuidado! Nunca deixe resíduos da tinta atacada com removedor no local pois ela impede a aderência e danifica a tinta deixando ela enrugada.

Aqui tem um exemplo interessante. Quando houverem duas chapas sobrepostas em 99% das vezes temos algum tipo de vedação ou emborrachamento. Na foto ela foi raspada até onde está a seta mas ainda teremos toda a volta. 
 Essa fresta é um dos pontos onde somente a chave de fenda combinada com removedor pastoso (tinta) e pistola de ar quente (borracha) podem ajudar.
 Esse é um caso onde a massa é facilmente tirada pela lixadeira com lixa comum. Fique ligado, algumas massas são cinza e podem parecer metal sujo pelo resíduo de lixamento.
 Faltou contar para vocês dessa maravilha! É um raspador de tinta que veio com a pistola de ar quente. Ele tem curvas e pontas para raspar mais facilmente locais curvos e cantos. Recomendo!
 Esse é um caso onde havia um excesso de chapa e solda na parte inferior do carro. Tome muito cuidado com discos de corte e desbaste para não destruir seu carro, você pode deixar a solda ou a chapa muito fina precisando ser refeita e/ou trocada.
 Eu tive que por essa foto aqui. Não consegui descobrir o que aconteceu ... parece que o cara ficou derretendo eletrodos de solda com a chama fria ... não sei ainda como vamos arrumar mas a principal aposta é disco de desbaste, deposição de chumbo estanho e lima. Posto quando conseguirmos fazer alguma coisa.
 Esse tipo de furo vem de dentro para fora do carro e dificilmente é visível sem que a tinta seja removida. Felizmente depois de bem limpo dá para preencher com solda TIG.
Esse local "bonito" é um dos que o primeiro passo é removedor (tinta e parte da massa), depois lixa simples (resto da massa) e por fim escova de aço para tirar a ferrugem.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Freio a disco na traseira e direção hidráulica GM

Desde o último post, estive fora da cidade e fiquei doente (e ainda estou e estarei por mais algumas semanas), mas pesquisei bastante para encontrar algumas partes que faltavam e trabalhamos razoavelmente no carro, principalmente na barte de baixo. Com o diferencial desmontado, fiz o projeto de parte do sistema de freio a disco e já construí as peças, amanhã vamos tentar montar o diferencial "provisoriamente" para marcar a posição da soldagem do suporte. Segue abaixo o início do "tutorial" de como colocar o freio a disco traseiro no chevette de maneira um pouco mais trabalhosa, mas muito mais garantida e segura. Essa modificação deixa o chevette compatível com uma grande gama de sistema de freio a disco traseiro como do monza, do vectra alemão e algumas versões do vectra novo (4 furos). Não esqueçam que é muito importante ter uma valvula equalizadora ou um sistema de ABS para garantir que a traseira freie menos que a frente! Se não tiver a traseira pode travar e não preciso dizer as consequencias disso. O freio a disco traseiro no chevette tem duas vantagens, não deixa o semi eixo sair se ele quebrar (acredito, pode acontecer!) e ao contrario das lonas existe uma maior tolerancia ao calor gerado em frenagens longas e fortes como uma descida de serra (embora eu recomende freio motor nesses casos), fora isso, freio a disco na traseira só é legal.
 Para começar, dei uma olhada no blog e ví que não coloquei uma foto dos suportes do braço da suspensão traseira com a solda reforçada, então aqui está. O mais importante são os furos cheios de solda, a selagem da margem tem uma importância "menor" na mecânica.
 Esse é o suporte do freio traseiro tambor original, você tem que cortar a solda em ângulo que segura ele, sem "machucar" o tubo base. Não esqueça de sacar o rolamento da ponta de eixo pois o calor vai acabar com ele!
 Tem que ficar assim, bem liso e "bonito". A propósito, esse não é o mesmo lado da foto.
 A esquerda está o suporte original e a direita está o novo, quando for usar meu desktop (onde está o desenho do suporte) eu publico o dimensional dele. Você poderia usar o mesmo suporte e fazer mais furos no prato e suporte da pinça, mas dou duas razões para isso não ser a melhor solução:
1- Mais furos no prato vai deixa-lo mais fraco (obvio) e tampar o buraco com solda pode gerar deformações e tensões residuais indesejáveis.
2- A posição do suporte não é a mesma em relação a ponta de eixo do sistema original para o de disco, ele se move cerca de 12mm para dentro (vou confirmar ainda com o diferencial montado!) então você já vai ter que cortar a solda mesmo.
Aqui eu já inseri o suporte, para fotos, ainda falta um pouco para solda. 
O prato e o suporte vão ficar assim. Quando for fazer algo parecido, lembre sempre que o sangrador fica para cima para tirar o ar, assim você não inverte os lados! Quando o suporte estiver soldado eu coloco a distância e as fotos finais.
A parte de baixo está quase pronta para pintura, falta soldar alguns suportes extras para as linhas de freio do ABS e terminar de raspar (sem dúvida é a única coisa chata de restaurar um carro).
 Mais uma vez o Eduardo Baffica do Rio de Janeiro e o pessoal da Chev Car conseguiram salvar o meu projeto. O Eduardo me mandou os eixos, engrenagem e a moringa do câmbio tão perfeitos e limpos que se passariam por novos! Na Chev comprei uma moringa nova (não tinha conseguido a peça com o Eduardo quando comprei) e uma fechadura original do lado direito. Nunca ví uma fechadura tão macia quanto essa, nem mesmo a do lado do motorista que já era original é tão boa!
Para deixar os fãs do chevette curiosos e com inveja, segue acima foto de uma irmã da minha mais recente aquisição. Para quem conhece a história do chevette, é sabido que ele foi lançado em diversos paises em diversas versões e com diferentes nomes. No Brasil ele nunca teve direção hidráulica ou ar condicionado, no entanto, consegui a caixa de direção hidráulica (pasmem!) original, nova ainda na embalagem, do pontiac T-1000, que é um dos chevettes americano! Ela é totalmente idêntica a do chevette nacional, exceto pelo fato de ser hidráulica. Ou seja, vou ser provavelmente o único proprietário no Brasil de um chevette com direção hidráulica não adaptada, seguindo inteiramente o padrão da chevrolet!!! Não é barato e não vou contar quanto paguei, mas para quem tiver interesse, posso tentar conseguir outra com pagamento adiantado de não menos que R$2000 e previsão de entrega de não menos que um mês... quando chegar a minha, posto mais informações.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pintura a pó do câmbio e suporte dos bancos

Semana passada estive viajando então não rolou muita coisa, trabalhei no carro apenas no domingo, pintando mais algumas peças com tinta eletrostática. O casco externo do câmbio está pronto e hoje terminei todas as soldas da parte de baixo do carro, no feriado vamos remover toda a tinta e se der tempo já pintamos para colocar de volta no chão e tirar o paralama interno.
Essa é a ponta do câmbio logo depois de pintado. Uma das coisas interessantes da pintura a pó é que as mascaras realmente funcionam, o pó não tem como "escorrer" para baixo delas.
Empilhei a carcaça do câmbio para ver como vai ficar depois de montado.
O ultimo trabalho da parte de baixo do carro, os pontos de fixação do banco. Não me perguntem por que eles não estavam soldados ... nem colados estavam, o "funileiro" que "reformou" o carro antes deixava eles apoiados nos parafusos, se você tirasse o banco eles caiam.
Ontem projetei a modificação do diferencial para instalação do freio a disco sem gambiarras, sem "calços" e sem outros ajustes que fazem com que o momento de inércia da pinça fique alto causando riscos desnecessários. Um torneiro mecânico está fazendo um par de peças para mim que ficam prontas (em teoria) na quinta. Vou preparar o diferencial no final de semana, montar ele na próxima semana, se der tempo, e quando estiver tudo pronto, posto o tutorial da instalação do freio a disco traseiro do vectra sem gambiarras.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Pintura a pó e peças do câmbio quebradas

As coisas continuam progredindo. Pintei o sino e a carcaça do câmbio (faltou foto) com a tinta a pó, mandei o câmbio para revisão e desmontagem (para tirar a carcaça para pintar) e o diferencial para desmontar e "cortar" o suporte do freio tambor para poder soldar o suporte para disco, fazendo a correta conversão para freio a disco traseiro, posto em breve como fazer.
Essas são as bandejas inferiores já prontas. Foi descoberto, antes da pintura, após minuciosa inspeção que uma das esquerdas estava com duas trincas, felizmente eu tinha duas peças. É interessante comparar as bandejas paralelas com as originais, as soldas são muito diferentes e em maior quantidade na original.
 Embora a qualidade da caixa seca que comprei para instalação do motor do corsa seja sofrível (comprem da ADAP Brasil! A do cara de Goias é um lixo!), lixei sua superfície toda até remover a rugosidade do bruto de fusão e remover os poros visíveis e aproveitei para pintar também a pó. Acho que o câmbio todo preto semi brilho vai ficar muito legal além da pintura eletrostática ser muito resistente. Acho que segunda da próxima semana já terei fotos.
 A caixa seca vista por outro ângulo.
 Algumas surpresas ao levar o câmbio para revisão e desmontagem. O eixo da árvore secundária (eixo maior) está "fundido" onde fica a engrenagem da ré... e o eixo da árvore primária (que liga no motor) está com uns amassados na ponta que devem atrapalhar o encaixe no volante do motor.
A engrenagem da ré que vai na árvore secundária, é claro, também foi junto com o eixo, não dá para ver na foto mas seu interior também fundiu...
 Duas das engrenagens satelites do diferencial estavam quebradas, felizmente elas são meio "descartáveis" e são fáceis de encontrar.
O suporte do rolamento da embreagem também não está grande coisa, vou tentar conseguir outro melhor.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Peças jateadas e mais pintura a pó

Com o forno, uma pequena quantidade de tinta a pó e minha pistola de pintura a pó da Craftsman os trabalhos com a suspensão e peças pequenas está andando muito bem. A tinta eletrostática a pó já tem uma aderência, resistência mecânica e permeabilidade absurdas garantindo que suas peças vão durar muito tempo se dor de cabeça, mas mesmo assim resolvi fosfatizar as peças antes para melhorar essa aderência. 
Utilizei o Quimox da empresa Quimátic, comprei na Osten Ferragens em Curitiba, esse produto é muito "forte", é baseado em ácido fosfórico e aparentemente algum outro ácido que não identifiquei (nem procurei saber mesmo) que decapa qualquer ferrugem, fosfatiza e ativa a superfície da peça. Essa ativação é um pouco perigosa, se você não secar a peça logo e já aplicar o pó (ou o fundo se for tinta liquida) ela oxida rapidamente (30 minutos já está marrom). O fabricante recomenda "lavar" a peça imediatamente após a aplicação mas nos testes que realizei a água já oxidou toda a peça, solvente deu um resultado melhor. No fim os testes de aderência mostraram que apenas secar o produto com um papel toalha já dá um resultado excelente.
 Algumas peças antes do jato. Observe as pontas de eixo dianteiras já empapeladas para o jato não "machucar" a área usinada. No geral algumas voltas de fita crepe já basta.
 Peças jateadas: Travessão (agregado), protetores do freio dianteiro, bandejas dianteiras, barra estabilizadora e outras "pequenas".
 Algumas delas já pintadas (replay dos cinzeiros).
Essa saiu parecendo nova. Dica, quando for pintar eixos com pó, a área usinada deve ser protegida com fita de silicone (carissima!) ou papel alumínio segurado com fita de silicone. Afinal isso tudo vai para o forno a 200ºC para a tinta preto fosco liso semi-brilho.
Outra coisa importante, a melhor solução para cobrir toda a peça é pendura-la com arame. No caso de peças mais pesadas isso pode resultar em um acidente na mão durante sua movimentação para fora do forno, mesmo com o uso de ferramentas adequadas.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Primeiras peças pintadas a pó

Hoje terminei e testei o sistema de pintura a pó. Não cabem muitas peças por vez para evitar que elas batam  umas nas outras no transporte, mas dá para o gasto.
Pintei a parte de cima dos cinzeiros, os suportes da barra estabilizadora e mais algumas coisas.
A princípio as peças ficam muito boas, vou postando conforme for pintando.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Forno para pintura a pó

Terminei meu forno para pintura a pó, nos próximos dias vou testar e calibrar a temperatura e iniciar a pintura das peças menores.
 Projetei ele para caber o travessão (esse é meu gabarito para fazer o suporte do motor, o correto está guardado).
E pelo menos um par de rodas.
Quando pintar as primeiras peças (que por sinal são as zincadas que ficam visíveis) eu posto as fotos. Esse final de semana, se eu não ficar sem argônio na TIG eu termino de soldar toda a parte de baixo do carro e com sorte já mandamos uma tinta de fundo para poder colocar ele no chão e trocar o paralama interno dianteiro direito.